Título: Pavilhão Nullus Pons
Grupo: João Vitor Constantino, Maria Fernanda Vianna, Thamires Dias
O Zine contém planta com escala gráfica, implantação, cortes, perspectivas, diagrama axonométrica, descrições do Não-Objeto e do Pavilhão em si, que foi construído inteiramente no SketchUp.
Arquivo do Zine:
Imagens Isoladas dos materiais:
A intervenção, inicialmente prevista para a ponte de madeira devido à sua inclinação, materialidade e vista elevada do parque, foi transferida para o centro da Ilha dos Amores por questões de segurança, permitindo mais espaço e liberdade para instalar o não-objeto. Este não-objeto foi desenvolvido de forma intuitiva e experimental, a partir do desejo do grupo de trabalhar com linhas e tramas, e consistia em três estruturas em tripé de PVC, leves e móveis, uma delas contendo uma bolsa de crochê com novelos de lã — material que proporcionava forte apelo sensorial e era pensado para ser manipulado pelos usuários. A proposta do não-objeto não era ser um item funcional, mas sim um dispositivo aberto, que só adquire sentido por meio da interação: ele provoca ações, desperta curiosidade e gera configurações sempre mutáveis de linhas e tramas conforme cada pessoa o utiliza. Nas interações, estudantes criaram grandes teias ao arremessar e entrelaçar fios entre os tripés, enquanto o público geral, em outro dia, explorou o objeto de maneira mais tímida e localizada, realizando pequenas brincadeiras, amarrações ou tricôs improvisados.
Texto Pavilhão:
Nosso pavilhão, implantado na Ilha dos Amores do Parque Municipal de BH, é uma estrutura leve e permeável, concebida para integrar arte, paisagem e experiência corporal. Ele é formado por quatro cones estruturais de dois pavimentos conectados por malhas laterais de corda de cânhamo que formam uma rede possibilitando a escalada e permitindo diferentes níveis de observação do parque.
Os cones são estruturadas por hastes e arcos metálicos e possuem cordas em seu contorno para delimitar o espaço interno, assim, são modulados para permitir montagem rápida, mínimo impacto no solo e ventilação. As conexões entre hastes, arcos e solo utilizam abraçadeiras a e elementos roscados, o que permite desmontagem, reposicionamento e manutenção, ou seja, são coerentes com a ideia de uma obra aberta à adaptação.
Conectando os quatro volumes, desenvolve-se uma malha horizontal contínua e caminhável, tensionada entre os cones e formada por cordas trançadas. Essa malha funciona como percurso elevado, oferecendo ao visitante a possibilidade de atravessar a instalação no alto. A estrutura não delimita um único caminho pela ilha — ela induz múltiplos trajetos, reforçando a dimensão participativa do espaço.
A obra se relaciona diretamente com a teoria do Não-Objeto, proposta por Ferreira Gullar, segundo a qual o não-objeto se realiza na experiência sensível e ativa do observador. O pavilhão não se oferece como objeto a ser apenas contemplado; ele se constitui na relação entre corpo, movimento e ambiente. A exploração tátil das cordas, a mudança de altura, a oscilação do percurso e a abertura visual para a paisagem transformam o visitante em agente construtor da própria percepção.
Em relação ao não-objeto que instalamos no parque, ele serviu como importante referência para o desenvolvimento do pavilhão. A ideia de conexão sugerida pela ponte da ilha inspirou o uso de barbantes ligados aos tripés no nosso não-objeto. A partir dessa experiência, transferimos para o pavilhão os mesmos princípios de pontes, conexões e redes. Nessa transposição, os tripés passam a se configurar como cones, enquanto os barbantes assumem a forma de uma rede. Trata-se, portanto, de uma ampliação e de um aumento da complexidade de uma ideia pré-existente, que preserva o princípio fundamental de ligar um ponto a outro, como uma ponte, porém de forma desconstruída.
Essa lógica dialoga com a perspectiva de Herman Hertzberger, para quem a arquitetura deve criar situações que favoreçam encontros espontâneos e graus variáveis de uso. O pavilhão, ao propor planos intermediários, superficiais caminháveis e zonas de permanência, atua como “estrutura portante social”, oferecendo suportes que não determinam comportamentos, mas abrem possibilidades. A malha entre os cones funciona como território de transição ao permitir proximidade, pausas, observação e convivência. Assim, a instalação ultrapassa sua dimensão formal e se torna palco de relações humanas, reforçando a ideia de que o espaço ganha o sentido que as pessoas fazem dele.
Registros:














Comments
Post a Comment