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PESQUISA: OBRAS NÃO-OBJETO E ARTISTAS CINÉTICOS (Grupo 5)


Não-Objeto 

Bólides - Hélio Oiticica: 

É possível relacionar as obras Bólides de Oiticica com o conceito de não-objeto pois elas não tem uma regularidade quanto suas estruturas de caixa, podendo, em alguns deles, abstrair-se um pouco dessa definição, já que contém outros elementos que incrementam ou deformam uma percepção clara de caixa. Ou seja, não é possível identificar de imediato e com exatidão do que se trata a obra. Entretanto, a principal característica que faz algumas das obras de Oiticica um não-objeto é o seu fator manipulável, em que é possível interagir com a obras, manuseando-a seu béu prazer, como a Bólide Vidro 15, composta por um vaso de vidro com sacos de areia no interior que pode permitir uma percepção sensorial do espectador. 

Os materiais empregados por Oiticica — pigmentos, terra, areia, espelhos, líquidos, tecidos, conchas — possuem texturas, cores, odores e até mesmo memórias culturais. Esses elementos permitem ao espectador não só contemplar, mas experimentar a obra através do tato, do olfato e do movimento. 

Ao abrir uma gaveta, mexer na areia, ver o reflexo no espelho ou sentir o peso de um vidro, o espectador deixa de ser apenas observador e se torna participante. Muitos Bólides também incorporam o contexto social e político brasileiro dos anos 1960. O “Homenagem a Cara de Cavalo”, por exemplo, é uma espécie de gesto poético e político, uma memória de resistência dedicada ao Manoel Moreira, morador da antiga favela do Esqueleto e amigo de Oiticica, que foi morto por uma organização policial clandestina. 


Artista Cinética 

Rebecca Horn: 

Artista moderna alemã com trabalhos abstratos, imprevisíveis, baseados em máquinas e muitas vezes até estranhos. Começou a realizar performances que se focavam em seu próprio corpo e em seu aparelho sensorial. Essas primeiras peças – mas, em última instância, todo seu trabalho posterior também – caracterizam-se pela relação íntima entre os movimentos do ser humano e a escultura ou objeto. 

Posteriormente, o movimento deixou de estar diretamente acoplado ao corpo da artista para estar presente em objetos autônomos. É o caso de Concert for Anarchy (1990) ou de The Moon Mirror (1996). Nesses trabalhos, Horn combina motores, engrenagens e sistemas automáticos com uma carga simbólica forte, transformando máquinas em organismos com vida própria. 

O aspecto cinético em sua obra não se limita ao espetáculo visual: ele é um catalisador sensorial e emocional. O espectador é atraído por um movimento ora delicado e poético, ora abrupto e ameaçador, que tensiona as fronteiras entre corpo, objeto e espaço. 

"Will o'the Wisps" ou "Fogo-fátuo" (2011): É uma composição peculiar e complexa, com espelhos, luzes, crânios humanos (provavelmente irreais) e sapatos. Os espelhos e as luzes movem-se em direções diferentes. "Will o'the Wisps", segundo a lenda que é baseada, é uma luz enganadora, que aparece à noite para iludir os viajantes dos caminhos seguros.


"Concerto para a Anarquia" (1990): consiste em um piano de cauda motorizado suspenso de cabeça para baixo no teto. Com um choque repentino e doloroso, a tampa do teclado se abre e lança suas teclas, que balançam por um instante antes de se retraírem lentamente, com os fios vibrando enquanto ele se recolhe em si mesmo.

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