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FICHAMENTO: DESIGN: OBSTÁCULO PARA A REMOÇÃO DE OBSTÁCULOS? - VILÉM FLUSSER

 

Flusser aborda, no texto, o papel dos objetos e, principalmente, dos objeto de uso - aqueles necessários para a “utilização” do primeiro -  na sociedade. O objeto, então, é conceituado como um problema/obstáculo no caminho cotidiano de um indivíduo e que só consegue ser vencido por meio de outro objeto (de uso) que, por consequência, atua também como obstáculo.

Essa contradição é chamada de “dialética interna da cultura” e é algo que se auto alimenta. Nossos antepassados, diante dos nossos mesmos desafios, criaram os objetos de uso para tentar sanar as dificuldades impostas pelos objetos que enfrentavam. Assim, se criam novos problemas-objetos para os sucessores que precisam continuar o ciclo para prosseguir. Dessa forma, esses objetos, ao superar os limites dos antigos, atuam na minimização de problemas (outros objetos). 

Além disso, objetos de uso funcionam como mediadores entre os homens: ao se criar objetos, tem-se uma responsabilidade intrinsecamente atrelada ao indivíduo e sua forma de viver. Porém, a realidade de hoje está caracterizada por objetos de uso cujos designs foram criados de maneira irresponsável (com a atenção voltada apenas para o objeto) e, ao mesmo tempo, uma crescente na mudança do olhar do designer para o outro.

O autor menciona a imaterialidade dos objetos, que estão sendo criados nos últimos tempos, e a relação que esse tipo de objeto tem na construção, não só da ideia de responsabilidade, como de liberdade. O mundo virtual com as redes sociais, hoje, é o principal exemplo de objeto focado em construir uma noção e perspectiva na e voltada para a identidade humana que vive em comunidade. Ele possui, assim, um caráter que proporciona um diálogo constante, característica necessária para se conquistar a cultura idealizada por Flusser. Entretanto, quando se aborda os termos responsabilidade e liberdade no contexto digital na atualidade é preciso ter cautela. Em um ambiente em que fatores como a liberdade, praticamente, não possuem limites se torna fácil a disseminação de movimentos segregadores. A cultura deve ser construída independente de questões como essa? Ou isso faz parte do ciclo evolutivo da humanidade?

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