Flusser aborda, no texto, o papel dos objetos e, principalmente, dos objeto de uso - aqueles necessários para a “utilização” do primeiro - na sociedade. O objeto, então, é conceituado como um problema/obstáculo no caminho cotidiano de um indivíduo e que só consegue ser vencido por meio de outro objeto (de uso) que, por consequência, atua também como obstáculo.
O autor menciona a imaterialidade dos objetos, que estão sendo criados nos últimos tempos, e a relação que esse tipo de objeto tem na construção, não só da ideia de responsabilidade, como de liberdade. O mundo virtual com as redes sociais, hoje, é o principal exemplo de objeto focado em construir uma noção e perspectiva na e voltada para a identidade humana que vive em comunidade. Ele possui, assim, um caráter que proporciona um diálogo constante, característica necessária para se conquistar a cultura idealizada por Flusser. Entretanto, quando se aborda os termos responsabilidade e liberdade no contexto digital na atualidade é preciso ter cautela. Em um ambiente em que fatores como a liberdade, praticamente, não possuem limites se torna fácil a disseminação de movimentos segregadores. A cultura deve ser construída independente de questões como essa? Ou isso faz parte do ciclo evolutivo da humanidade?
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