O texto aborda as implicações do não-objeto em relação ao seu antônimo, o objeto. Uma atenção especial é dada à pintura e à escultura. Ressalta-se a eficácia das molduras (nas pinturas e quadros) e das bases (nas esculturas) em conferir a essas peças uma afirmação de objetividade em razão do mundo que as abriga. Assim, tais elementos representam um retrocesso quando se busca o não-objeto, pois acabam assegurando um sentido de representação e significação imposto sobre as obras.
O autor enfatiza que o não-objeto não deve ser entendido como uma simples negação do objeto, mas como uma tentativa de superar a relação entre sujeito e objeto. Ele se apresenta como algo autônomo, que não remete a nada além de si mesmo.
Em determinado momento, a narrativa muda: o texto, antes totalmente expositivo, passa a assumir a forma de uma espécie de diálogo, com perguntas e respostas. Perguntas essas elementares para o entendimento da questão retratada que, previsivelmente, não se encontram no intelecto/imaginário das pessoas comuns. Essa mudança de abordagem mostra-se, portanto, bastante necessária.
No fim do texto destaca-se a importância que a ação humana tem para com o não-objeto, valorizando a participação e experiência vinda do conjunto contemplação + movimentação do espectador. É possivel relacionar essa ideia com obras do Neoconcretismo. O trabalho de Ligia Clark, por exemplo, requer uma manipulação sensorial para uma percepção completa.
A reflexão de Gullar sobre o não-objeto se aplica, hoje, nas práticas artísticas contemporâneas que exploram a imersão, a interatividade digital e a participação coletiva. Entretanto, o não-objeto pode enfrentar dificuldades em alcançar um público amplo, já que o mesmo, acostumado à uma simples contemplação, precisa encarar uma mudança para uma postura ativa diante da obra.
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